Uma caloria não é uma caloria

Um dos grandes mitos da nutrição, repetido por muitos, é de que uma caloria é uma caloria, é uma caloria! O que se pretende dizer com isto é que não interessa de onde as calorias vêm, ou seja, que uma dieta de 2000 calorias é igual quer seja ingerida à base de vegetais, gordura e proteína ou de pão, refrigerantes e açúcar.counting-calories

Este conceito de que nós somos o resultado das calorias que consumimos subtraídas das calorias que gastamos é absolutamente falso e tem sido o responsável por pôr as pessoas a contarem calorias e a fazerem dietas que invariavelmente terminam em frustração.

Vou-lhe explicar as diferenças.

O índice glicémico dos alimentos

Este é um indicador que quantifica a velocidade a que o açúcar dos alimentos chega à corrente sanguínea. Quanto mais elevado o índice glicémico, mais rapidamente o açúcar chega à corrente sanguínea.

glycemic-indexSabe-se que, pelo facto de muitos alimentos terem um baixo índice glicémico, a sua absorção é retardada e muitas das suas calorias passam para as bactérias do trato intestinal. Por exemplo, no caso das amêndoas, pelo facto de serem muito ricas em fibras, o consumo de 160 calorias deste alimento resulta na absorção de apenas 130 calorias.

Comprova que uma caloria não é uma caloria.

O efeito térmico dos alimentos

Para gerar energia a partir dos alimentos é necessário digeri-los. Este processo implica dispêndio energético. Chama-se a isto o efeito térmico dos alimentos.Physically-Active-Energy-Expenditure1

Os vários macronutrientes têm efeitos térmicos diferentes.

  • Gorduras: 2% a 3%
  • Hidratos de carbono: 6% a 8%
  • Proteínas: 25% a 30%

A título de exemplo pode-se dizer que o consumo de 100 calorias de proteína resulta na absorção de 75 calorias já que se gastam 25 calorias no seu metabolismo.

Comprova que uma caloria não é uma caloria.

A gordura

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A gordura liberta 9 calorias por grama. Toda a gordura. No entanto, apesar de quase todas as gorduras serem saudáveis, ou porque nos fornecem energia ou porque nos protegem de doenças (omega 3), as gorduras hidrogenadas ou gorduras trans, são altamente prejudiciais para a saúde, aumentando a densidade do colesterol LDL, aumentando os níveis de triglicerídeos no sangue e entupindo as artérias.

Comprova que uma caloria não é uma caloria.

O açúcar

A glicose e a frutose são os dois açúcares mais consumidos. Ambos geram 4 calorias por cada grama consumido. A glicose provém essencialmente dos amidos. É pouco doce. Todas as células dos seres vivos têm a capacidade de queimar glicose.103333012

A frutose, por outro lado, só é metabolizada pelo fígado e provoca respostas hormonais que levam a que o corpo perca a capacidade de se regular, nomeadamente pelo aumento de resistência à insulina, pelo bloqueio dos centros de nervosos da saciedade, no cérebro e pelo aumento da secreção da hormona da fome, a Grelina.

Comprova que uma caloria não é uma caloria.

Saciedade e restrição calórica automática

Há alimentos que são mais saciantes que outros. A saciedade sentida pela ingestão de proteínas - o alimento mais saciante - é muito maior do que um alimento de igual teor calórico à base de açúcares.turn-your-appetite-control-switch-on-with-satiety1

Sabe-se que o nosso corpo, tal como o de todos os outros animais, tem processos de auto-regulação que nos permitem comer sem fazer contagem calórica. Uma dieta baixa em hidratos de carbono e elevada em gordura, faz com que esses processos funcionem em pleno e para além de desbloquear os mecanismos que optimizam o metabolismo das gorduras, permite que os mecanismos da fome e da saciedade funcionem de forma óptima, reduzindo automaticamente o consumo calórico.

Comprova que uma caloria não é uma caloria.

Conclusão

As escolhas que faz dos alimentos são essenciais para a sua boa saúde. Mesmo que não tenha uma dieta de excesso calórico, o seu corpo poderá reagir com doença às agressões a que o submeter.

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2 thoughts on “Uma caloria não é uma caloria”

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