Menos refrigerantes para as crianças

A Direção-Geral de Saúde e a Direção-Geral de Educação estão a enviar um manual com instruções para as escolas convencerem os alunos a beberem mais água. Vários estudos mostram que as crianças e jovens portugueses bebem demasiados refrigerantes e néctares, esquecendo ou preferindo ignorar a água.Water

Considero que este é um passo extremamente importante no tratamento e prevenção da epidemia da obesidade, infantil neste caso. Mas muito para além da obesidade, a face visível da síndrome metabólica, é fundamental eliminar o consumo de refrigerantes e sumos de fruta para prevenir a diabetes tipo II e restantes complicações para a saúde provocadas pelo açúcar.

Os açúcares refinados consumidos por via da ingestão de líquidos chegam ao sangue muito mais depressa do que os mesmos açúcares quando consumidos através de sólidos. Por este motivo, para baixar os níveis de glicose no sangue, o pâncreas secreta uma grande quantidade de insulina que permite o armazenamento desse açúcar como gordura. Por esse motivo se ganha mais peso pela ingestão de hidratos de carbono líquidos do que sólidos, tal como comprovado cientificamente.

Mas esta ainda é uma pequena contribuição para a resolução do problema da epidemia de obesidade.

Um pressuposto errado

Registo com pouco agrado que o foco da recomendação feita pela Plataforma Contra a Obesidade da Direção Geral de Saúde para a substituição de bebidas açucaradas por água é colocado sobre as calorias que estas contêm e não sobre o consumo o açúcar em si mesmo. Se nós consumirmos os alimentos corretos, o nosso corpo é capaz de limitar naturalmente o consumo calórico ao estritamente necessário. É o consumo de açúcares (hidratos de carbono) que está na base da epidemia de obesidade e de diabetes tipo II. Uma caloria não é uma caloria!

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Uma politica errada

Infelizmente é fácil verificar que há um desnorte quase completo nas recomendações alimentares feitas à população Portuguesa em geral e às crianças portuguesas, neste caso específico. Este desnorte deve-se ao facto de se continuar a fazer tábua rasa de toda a nova ciência nutricional que vem sendo publicada e se continuarem a fazer recomendações com base em ciência datada e que já foi desacreditada pela generalidade da comunidade cientifica. São estas mesmas recomendações baseadas na aplicação da 1ª lei da termodinâmica à nutrição (a energia retida pelo corpo sob a forma de gordura é igual à energia consumida sob a forma de alimentos subtraída da energia gasta) que nos têm conduzido ao atual estado de epidemia de obesidade. Apesar de haver cada vez mais pessoas a frequentarem ginásios e a praticarem outras atividades desportivas os números de problemas de saúde relacionados com a obesidade e a alimentação em geral continuam a subir.

Há vários exemplos desta desorientação, incluídos no documento de orientações  para os Bufetes Escolares da Plataforma Contra a Obesidade da Direção Geral de Saúde. Apenas para referir alguns:

  • Promover o consumo de sumos de fruta naturais – Um grande disparate. A fruta tem muito açúcar e por isso deve ser consumida com muita moderação. Todos os nutrientes existentes na fruta podem ser obtidos de outras fontes, como por exemplo das hortícolas, com muito menos açúcar. O disparate torna-se maior se pensarmos que ao espremer o fruto, estamos a eliminar a fibra que permite limitar a velocidade a que o açúcar é absorvido pelo nosso corpo, entre outras vantagens metabólicas.
  • Promover o consumo de pão – O pão é… açúcar, pois claro! Aliás todos os hidratos de carbono que não sejam fibra transformam-se em glucose no nosso corpo. A única diferença (e ainda assim muito importante)  é a velocidade de absorção.obesity
  • Promover o consumo de leite – O leite tem lactose, ou seja, açúcar! Mas o pior é que se trata de um açúcar ao qual uma boa parte da população mundial é alérgica, ainda que alguns não o saibam. Qualquer nutriente proveniente do leite pode ser obtido de outras fontes muito mais ricas, por exemplo brócolos.  No entanto, outros produtos lácteos devem ser consumidos, nomeadamente o queijo, a manteiga, iogurte do tipo grego, natas frescas, já que no processo de transformação, grande parte da lactose é eliminada.
  • Evitar consumo de manteiga – Erro. A manteiga é gordura e da boa! Coma. É a gordura e as proteínas que nos vão saciar e permitir que o nosso organismo consiga regular as suas necessidades calóricas.
  • Reduzir o teor de gorduras – Nada disso. As suas necessidades calóricas devem ser supridas essencialmente pelo consumo de gordura. Apenas não consuma gorduras trans (muito, mesmo muito perigosas) e tente equilibrar o consumo de Omega 3 e Omega 6.

Porque não?

Aproveito ainda para tecer algumas considerações acerca das políticas de venda de alimentos nas escolas Portuguesas, as públicas claro está. Não compreendo que interesse poderá existir em vender alimentos açucarados nestes estabelecimentos e porque é que simplesmente não se eliminam das prateleiras. Ou seja, seguindo a regra que cada um de nós manda em nossa casa e nos produtos que adquirimos para lá serem consumidos, porque razão o estado não faz uso do mesmo direito e pura e simplesmente bane estes produtos das escolas? Porquê limitarem-se a fazer recomendações quando podem impor essa politica?

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