Informação nutricional em produtos alimentares: o que procurar

foodlabelEntra hoje em vigor em Portugal o regulamento da União Europeia 1169/2011 que homogeneíza a informação nutricional presente nos rótulos de produtos alimentares pré-embalados. Nesta primeira fase, apenas os produtos que já continham informação nutricional é que estão obrigados à sua normalização. Todos os outros apenas estão obrigados a apresentar essa informação a partir de Dezembro de 2016.

Esta medida é, de uma maneira geral positiva, no entanto, na minha opinião, peca por apresentar a informação de forma pouco inteligível e pouco quantificável. Vou tentar ajudá-lo a perceber o que significam alguns desses termos e porque são importantes.

Desde logo não posso em consciência deixar de começar por dizer que a maior parte dos alimentos saudáveis não vêm dentro de embalagens e têm prazos de validade de apenas alguns dias, findos os quais se encontram impróprios para consumo. Dê sempre preferência a produtos frescos, perecíveis. A probabilidade de estar a alimentar-se bem aumenta muito. Por isso, se está a comprar um produto embalado, deve ter especial atenção ao seu rótulo.

  • Comece por ler a lista de ingredientes do produto que está a comprar. Se esta lista tiver mais de 5 itens e nomes ininteligíveis, então não o considere um alimento. Rejeite-o sem se demorar mais a interpretar a informação nutricional.Ingredients
  •  Dizer no rótulo “Saudável”, “Baixo em Gordura”, “Sem açúcar adicionado”, “Contém cereais”, “Amigo do coração”, “Rico em ómega 3” e tantas outras frases que o publico associa com saúde, apenas quer dizer que o departamento de marketing das empresas está a fazer o seu trabalho mas não quer dizer nada sobre a qualidade do alimento dentro da embalagem! Muitos destes produtos têm açúcares disfarçados de nomes terminados em “ose”, como por exemplo, frutose, dextrose, maltose e tantos outros.Misleading-food-labels
  •  Não compre produtos “Low fat”, “Light”, “Magro”, “Dieta” ou idênticos caso exista uma versão com a gordura toda. A gordura é o veículo que transmite o sabor dos alimentos. A sua exclusão torna o alimento pouco saboroso. Para colmatar esse efeito secundário, os produtores dos alimentos substituem a gordura por açúcares, normalmente xarope de milho de alto teor de frutose, que é mais barato! Não só está a deixar de comer um alimento saudável e que o vai saciar como, ainda por cima, o está a substituir por um outro que lhe vai trazer graves prejuízos de saúde.low_fat
  •  O rótulo indica a quantidade total de hidratos de carbono e detalha a quantidade de açúcares. É aqui que se deve deter. Do ponto de vista alimentar é comum dividir os hidratos de carbono em fibras e açucares. As fibras são essenciais para o metabolismo e por conseguinte para uma vida saudável. O açúcar é altamente prejudicial à sua saúde. É responsável pela obesidade, aumento dos triglicerídeos no sangue, aumento do colesterol LDL (o mau!) e diminuição do tamanho das partículas desse mesmo colesterol (que é o que o torna de facto um risco para a saúde). Conduz, por isso, a diabetes tipo II, doença cardíaca e cancro, apenas para nomear alguns efeitos prejudiciais. A quantidade de açúcar vem expressa em gramas, o que é de difícil perceção para a maioria das pessoas. Considero que a sua expressão em colheres de chá, adicionalmente, facilitaria a sua quantificação. De referir que, em média, uma dessas colheres contém 4g de açúcar.nutrition-label1
  •  Procure na lista de ingredientes a presença de gorduras hidrogenadas ou parcialmente hidrogenadas. Estas são as únicas gorduras que deve evitar a todo o custo já que trazem muitos prejuízos à saúde. Ao contrário das restantes gorduras, incluindo as gorduras saturadas não hidrogenadas, que são saudáveis, estas, as hidrogenadas, provocam o aumento dos triglicerídeos, o aumento do colesterol LDL (mau) e o decréscimo do HDL (bom). São responsáveis por doenças do foro cardíaco e oncológico. São muito usadas em margarinas, em óleos vegetais e na fritura de muitos produtos embalados pois aumentam os seus prazos de validade. Infelizmente esta norma da União Europeia não obriga a que esta informação venha escrita de forma clara, como por exemplo, detalhada dentro do capítulo gorduras. Esperemos por uma revisão da norma para breve!TransFat

Aproveito ainda para referir que pode obter online a informação nutricional de um vasto leque de produtos para conferir aquilo que está a comer.

Em traços gerais, se seguir estas recomendações, vai estar a fazer opções mais saudáveis e que o vão ajudar a estabilizar o seu peso e a viver mais feliz!

Se tiver dúvidas procurarei ajudá-lo. Deixe um comentário!

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2 thoughts on “Informação nutricional em produtos alimentares: o que procurar”

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