Doces: obrigatório comprar?

Eu de Marketing não percebo nada, ou melhor, quase nada. Mas felizmente percebo a parte mais importante desse quase nada: o que me querem vender não é necessariamente o que eu quero comprar! E isso torna-me atento enquanto consumidor e crítico nas minhas escolhas.Mas… admito que às vezes é muito difícil resistir. Só um herói consegue percorrer o campo de batalha e ser vitorioso no final da contenda!

No outro dia documentei a minha ida a um supermercado tirando fotos de todos os topos dos corredores dos produtos e ainda dos expositores que se encontram à entrada das linhas de caixa. Estes são os espaços mais valiosos dentro de um supermercado porque, segundo os especialistas, captam melhor a atenção do consumidor e ajudam a vender os produtos aí colocados.

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O que encontrei neste supermercado pode ser encontrado em qualquer supermercado um pouco por todo o país. Em todos os topos e linhas de caixa, promovem-se hidratos de carbono altamente processados.

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Desde chocolates de todos os tipos, gomas, rebuçados,  passando por refrigerantes e pão de forma.

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Suspeito que as marcas que fabricam e distribuem estes produtos, usam esta estratégia por saberem que em circunstâncias normais as suas vendas seriam muito inferiores às que conseguem obter desta forma. Os consumidores sabem, ainda que de forma intuitiva, que isto não são alimentos e que o seu consumo prejudica gravemente a saúde.

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É um desafio para os pais, que levem consigo os seus filhos às compras, conseguirem evitar que eles passem o tempo a desejar e a pedir guloseimas.

Mas é também uma oportunidade para lhes explicar que estes produtos não são alimentos e que lhes prejudicam a saúde.

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Como se não fosse suficiente pôr os clientes a tropeçar em todos estes produtos altamente prejudiciais à saúde, os senhores do marketing, ainda nos tentam convencer com frases como "contém leite", "0% de gordura", "light". Mas se não é suficiente, eles colocam uns símbolos de uma associação qualquer a dizer que não contém colesterol e que faz muito bem ao coração! Ou então umas imagens de crianças em ambiente de brincadeira e cheias de energia…

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Seria do interesse da saúde pública aplicar uma taxa extraordinária a este tipo de produtos que, a meu ver, são pelo menos tão nocivos quanto o tabaco.

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A nós, enquanto consumidores, cabe-nos o papel de comprar de forma responsável e informada.

Não devemos esperar que quem gere este tipo de superficíes e que guia as suas acções com o único objectivo de maximização do lucro, tenha o cuidado de proteger a nossa saúde e a das nossas crianças.

A solução até é simples: não comprem!

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2 thoughts on “Doces: obrigatório comprar?”

  1. Concordo, quer com a necessidade de regular o modo como são comunicados estes produtos, quer com um agravamento fiscal que lhes pudesse ser aplicado.
    Ai se encontro a galinha que põe os ovos kinder! Faço com ela uma cabidela! Mas sem a parte do arroz :)

  2. Gostei!
    Lembro-me que em minha casa, só havia chocolates/bolos em alturas festivas, e que as bolachas mais apetitosas eram comidas com moderação. Talvez o facto de haver menos variedade tornasse o preço menos atrativo, e daí, não ser adquirido com a “vulgaridade” que é agora. Acho muito interessante a aplicação de uma sobretaxa neste tipo de produtos, uma vez que é opção de cada um destruir a sua saúde, tal como acontece com o tabaco! Aliás, o tabaco só pode ser vendido a maiores de 16 (?) anos, enquanto que a aquisição deste tipo de produtos é vendido nas escolas…

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