A dieta e o cancro

Estima-se que o cancro foi responsável por 24% do número de mortes no nosso país em 2013.

Este grupo de doenças, devido à sua gravidade, tratamento doloroso e duração do período de tratamento, alarmam qualquer pessoa e tornam todos os meios de combate e prevenção válidos e úteis.Investigation

Pela regularidade com que nos alimentamos e pelo efeito que os alimentos que consumidos têm no nosso organismo é muito importante que entendamos a nutrição quer como uma vacina, que nos previne da doença, quer como um medicamento, que nos pode curar.

A alimentação baixa em hidratos de carbono e rica em gordura, parece desempenhar um papel muito relevante não só no que diz respeito à prevenção das doenças oncológicas, mas também no seu tratamento.

Apesar de alguns autores colocarem a hipótese de que a doença oncológica poderá ser de origem metabólica, parece existir um maior consenso entre aqueles que considerando estas doenças de origem genética, não deixam de considerar que o metabolismo desempenha um papel importante quer no seu aparecimento quer na sua progressão.

Prevenção

Existe evidência que muitos tumores têm origem em processos inflamatórios sistemáticos. Os alimentos que ingerimos são responsáveis por muitas dessas inflamações sendo certo que os hidratos de carbono estão no topo dos alimentos inflamatórios. Vários estudos confirmam que uma dieta baixa em hidratos de carbono reduz a inflamação a que sujeitamos o nosso organismo por via da alimentação, podendo-se, assim, evitar, retardar ou reduzir a velocidade de progressão destas doenças.xtcp2gal

Desta forma, pela via da redução da inflamação, um regime alimentar baixo em hidratos de carbono, poderá ser uma via de prevenir o cancro.

Tratamento

Os investigadores têm, também, estudado a forma pela qual o cancro pode ser tratado por via nutricional.

Há longos anos é conhecido que a maior parte dos cancros dependem do consumo de glucose em ambientes baixos em oxigénio para proliferarem. Este processo é conhecido como efeito Warburg, nome do investigador laureado com dois prémios Nobel que primeiro descobriu esta característica.

As células têm a capacidade de usarem a glucose e os ácidos gordos (corpos cetosos) como fonte de energia. Parece existir um defeito comum nas células mutadas dos cancros que apenas lhes permite usar a glucose como alimento. Por este motivo, coloca-se a hipótese de ser possível através de uma dieta muito baixa em hidratos de carbono e alta em gordura, que promova a cetose alimentar, limitar o acesso das células tumorais ao alimento de que necessitam provocando a sua morte ou, pelo menos, diminuindo a sua velocidade de progressão.ketogenic-diet-ratio

Alguns investigadores, como Dominic D'Agostino têm feito investigação neste âmbito com alguns resultados animadores.

Há, também, relatos de algumas pessoas que já usam a nutrição como forma terapêutica das suas doenças.

Apesar de esta ser uma área promissora no que diz respeito à luta contra o cancro, a verdade é que há pouco dinheiro disponível para investigação. Como se sabe uma boa parte do financiamento de pesquisas na área da saúde é providenciado pelas empresas farmacêuticas, que o fazem com o objetivo de desenvolverem novos fármacos que possam depois vender às pessoas e realizarem, assim, mais valias. Ora, não parece ser evidente que haja retorno para investimentos em investigações que tenham como objetivo mudar a dieta das pessoas para evitar que estas tenham que consumir medicamentos.

Vamos confiar que estes investigadores possam estar certos e que em breve tenhamos mais uma arma no combate a esta terrível doença.

Share

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *